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16 julho, 2013

Livro da semana - Caim, José Saramago

José Saramago é, indiscutivelmente, um dos principais autores portugueses sendo que toda a sua obra é reveladora da excelência da sua escrita pois, devido a ausência de pontuação, poucos são os que conseguem manter a coerência da história ao longo da leitura exigindo assim de quem o lê uma especial atenção e dedicação. Neste livro,Caim, o autor coloca-se a prova e narra uma história aparentemente conhecida por todos mas com algumas “pontas soltas”, as quais somos induzidos a esquecer. Para tal, o escritor usufrui de uma personagem já existente na história do Catolicismo e através dela faz-nos viajar pelo Antigo Testamento da Bíblia levando-nos a presenciar alguns dos seus episódios e confrontando-nos com os nossos preconceitos mais íntimos, caso sejamos Cristãos, ou apenas levando-nos a refletir sobre as origens de uma das classes mais poderosas da sociedade atual. Com a sua veia irónica conduz ao absurdo algumas das históricas que todos crescemos a ouvir.
E mais uma vez, o Nobel da Literatura, não desilude comprovando o mérito do seu reconhecimento e abalando as críticas de que foi alvo por as suas obras se distanciarem dos ideais que a sociedade nos impinge. Recomendo a sua leitura apesar de apelar à sensibilidade e atenção de quem embarcar nesta, pois é uma história que quando lida com particular dedicação se torna viciante e nos permite “visualizar” em primeiro plano todos os acontecimentos narrados.

Orpheu




Orpheu foi uma revista trimestral, sendo um projeto luso-brasileiro, criada em 1915 à qual se associaram diversos escritores como Fernando Pessoa, Mário Sá Carneiro e Almada Negreiros e pintores como Amadeo de Souza-Cardoso e Santa Rita Pintor, grandes nomes da história das Letras e das Artes que ficaram conhecidos como “Geração d’Orpheu”. O nome adotado pelo projeto baseou-se num mítico músico grego, Orpheu, que para salvar a sua mulher do Deus dos Mortos teria de o fazer sem nunca olhar para trás. Através desta metáfora os criadores pretendiam realçar a sua repugnação relativamente ao passado focando todas as atenções na “edificação do Portugal do século XX”.
O seu primeiro número teve como diretores Luiz de Montalvôr, em Portugal, e Ronald de Carvalho, no Brasil, e como editor o jovem António Ferro. Para o introduzir Luiz de Montalvôr tentou explicar o objetivo deste e os seus princípios ideológicos caracterizando-a como «um exilio de temperamentos de arte» baseado num «princípio aristocrático». O projeto destacou-se bastante exercendo uma notável influência na criação de movimentos literários permitindo uma renovação da literatura portuguesa, embora tenham surgido comentários e críticas que ridicularizavam os escritores julgando-os consumidos pela insanidade devido ao vanguardismo e ousadia de alguns textos, nomeadamente pelo poema 16 de Mário Sá Carneiro e a Ode Triunfal de Álvaro de Campos.

Sumário Orpheu nº1
Luiz de Montalvôr - Introducção
Mario de Sá-Carneiro - Para os "Indicios de Oiro" (poemas)
Ronald de Carvalho - Poemas
Fernando Pessoa - O Marinheiro (drama estático)
Alfredo Pedro Guisado - Treze Sonetos
José de Almada-Negreiros - Frizos (prosas)
Côrtes-Rodrigues - poemas
Alvaro de Campos - Opiário e Ode Triunfal




No segundo número, sob a direção de Fernando Pessoa e Mário Sá-Carneiro,
constam além de poemas seus, textos de Raul Leal, Violante de Cysneiro e Luís de Montalvôr. Nesta edição participou ainda o pintor, adepto do Futurismo, Santa Rita Pintor.



Sumario Orpheu nº2
Angelo de Lima - Poemas Inéditos
Mario de Sá-Carneiro - Poemas sem Suporte
Eduardo Guimaraens - Poemas
Raul Leal - Atelier (novela vertígica)
Violante de Cysneros - Poemas
Alvaro de Campos - Ode Marítima
Luís de Montalvôr - Narciso (poema)
Fernando Pessôa - Chuva oblíqua (poemas interseccionistas)


Esta revista penas teve dois números publicados, sendo o terceiro cancelado por falta de verbas.
Em suma, Orpheu marcou definitivamente a literatura do século XX abrindo portas ao Modernismo em Portugal.


«De resto, Orpheu não acabou. Orpheu não pode acabar. Na mitologia dos antigos, que o meu espírito radicalmente pagão se não cansa nunca de recordar, numa reminiscência constelada, há a história de um rio, de cujo nome apenas me entrelembro, que, a certa altura do seu curso, se sumia na areia. Aparentemente morto, ele, porém, mais adiante -- milhas para além de onde se sumira -- surgia outra vez à superfície, e continuava, com aquático escrúpulo, o seu leve caminho para o mar. Assim quero crer que seja -- na pior das contingências -- a revista sensacionista Orpheu

Fernando Pessoa, «carta a Santa-Rita Pintor», Lisboa, 21 de Setembro de 1915,

in Correspondência 1905-1922, edição Manuela Parreira da Silva, Lisboa: Assírio & Alvim, 1998, pp. 172-173.

15 julho, 2013

Letras e Arte

Bom dia.

Após o convite que me levou a fazer parte deste projeto foram-me propostos vários temas ligados a diversas áreas do conhecimento que poderia abordar. Distanciando-me um pouco dos meus parceiros optei por investir em áreas mais ligadas às artes em si, desde a literatura à pintura passando pela música e escultura, pretendo elucidar-vos, caros leitores, para com a importância destas ao longo dos tempos e a forma como reflete ideologias e movimentos que marcaram a História dando preferência a criadores portugueses preservando assim o nosso património e cultivando o Nacionalismo. Para já, não irei apresentar-me, conhecer-me-ão como “Orpheu”, nome de uma revista trimestral criada em 1915 cujos criadores e contribuidores foram grandes nomes das letras e das artes. Será também tema do meu primeiro artigo aqui no blog.Para além dos textos que pretendo ir publicando, o nosso website terá mais uma rubrica semanal, esta dirigida por mim, e que consiste na recomendação de leituras, onde serão feitas pequenas críticas de livros para a qual aceito sugestões e a vossa própria opinião acerca do mesmo.