Orpheu foi uma revista trimestral, sendo um projeto luso-brasileiro, criada em 1915 à qual se associaram diversos escritores como Fernando Pessoa, Mário Sá Carneiro e Almada Negreiros e pintores como Amadeo de Souza-Cardoso e Santa Rita Pintor, grandes nomes da história das Letras e das Artes que ficaram conhecidos como “Geração d’Orpheu”. O nome adotado pelo projeto baseou-se num mítico músico grego, Orpheu, que para salvar a sua mulher do Deus dos Mortos teria de o fazer sem nunca olhar para trás. Através desta metáfora os criadores pretendiam realçar a sua repugnação relativamente ao passado focando todas as atenções na “edificação do Portugal do século XX”.
O seu primeiro número teve como diretores Luiz de Montalvôr, em Portugal, e Ronald de Carvalho, no Brasil, e como editor o jovem António Ferro. Para o introduzir Luiz de Montalvôr tentou explicar o objetivo deste e os seus princípios ideológicos caracterizando-a como «um exilio de temperamentos de arte» baseado num «princípio aristocrático». O projeto destacou-se bastante exercendo uma notável influência na criação de movimentos literários permitindo uma renovação da literatura portuguesa, embora tenham surgido comentários e críticas que ridicularizavam os escritores julgando-os consumidos pela insanidade devido ao vanguardismo e ousadia de alguns textos, nomeadamente pelo poema 16 de Mário Sá Carneiro e a Ode Triunfal de Álvaro de Campos.
Luiz de Montalvôr - Introducção
Mario de Sá-Carneiro - Para os "Indicios de Oiro" (poemas)
Ronald de Carvalho - Poemas
Fernando Pessoa - O Marinheiro (drama estático)
Alfredo Pedro Guisado - Treze Sonetos
José de Almada-Negreiros - Frizos (prosas)
Côrtes-Rodrigues - poemas
Alvaro de Campos - Opiário e Ode Triunfal
No segundo número, sob a direção de Fernando Pessoa e Mário Sá-Carneiro,
constam além de poemas seus, textos de Raul Leal, Violante de Cysneiro e Luís de Montalvôr. Nesta edição participou ainda o pintor, adepto do Futurismo, Santa Rita Pintor.

Sumario Orpheu nº2
Angelo de Lima - Poemas Inéditos
Mario de Sá-Carneiro - Poemas sem Suporte
Eduardo Guimaraens - Poemas
Raul Leal - Atelier (novela vertígica)
Violante de Cysneros - Poemas
Alvaro de Campos - Ode Marítima
Luís de Montalvôr - Narciso (poema)
Fernando Pessôa - Chuva oblíqua (poemas interseccionistas)
Esta revista penas teve dois números publicados, sendo o terceiro cancelado por falta de verbas.
Em suma, Orpheu marcou definitivamente a literatura do século XX abrindo portas ao Modernismo em Portugal.
«De resto, Orpheu não acabou. Orpheu não pode acabar. Na mitologia dos antigos, que o meu espírito radicalmente pagão se não cansa nunca de recordar, numa reminiscência constelada, há a história de um rio, de cujo nome apenas me entrelembro, que, a certa altura do seu curso, se sumia na areia. Aparentemente morto, ele, porém, mais adiante -- milhas para além de onde se sumira -- surgia outra vez à superfície, e continuava, com aquático escrúpulo, o seu leve caminho para o mar. Assim quero crer que seja -- na pior das contingências -- a revista sensacionista Orpheu.»
Fernando Pessoa, «carta a Santa-Rita Pintor», Lisboa, 21 de Setembro de
1915,
in Correspondência 1905-1922, edição Manuela Parreira da Silva, Lisboa:
Assírio & Alvim, 1998, pp. 172-173.


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